Os desafios do jovem no mercado de trabalho: temos mais perguntas que respostas : FRST Falconi

Publicado em 03 de setembro de 2021

Os desafios do jovem no mercado de trabalho: temos mais perguntas que respostas

Gabriella Balbino

Content Management Specialist, FRST

A história sobre como o estudo universitário não supre as demandas de mercado, quando o assunto é preparar o profissional com as habilidades necessárias para dar suporte às empresas no intuito de alcançar os seus objetivos, é bem conhecida e discutida. 

29,8%. ⅓ dos jovens de 18 a 24 anos está sem emprego. Esse foi o último número divulgado pelo IBGE, dia 10 de março. O cenário em todo o Brasil é desafiador e o problema vai muito além do mercado. O currículo de uma formação universitária geralmente é atrasado em vários anos – cerca de 5 – e quando você conclui a faculdade, está 10 anos defasado no mercado.

E existem diversas pautas que exploram qual realmente é o papel da organização educacional tradicional no preparo dessas pessoas. Na formação técnica e comportamental delas para organizações que necessitam, cada vez mais, e mais rápido, de pessoas com o mindset afiado

Por isso, é necessário levantar duas questões: 

Em qual momento devemos nos preparar para essa enorme responsabilidade? Em qual momento recebemos o aviso de que se trata de dois mundos completamente diferentes? 

Vivemos numa época em que a pressão pela tomada de decisões é maior do que nunca. Por todos os lados recebemos questionamentos sobre o quanto precisamos ter certeza e segurança de nossas decisões. 

Afinal, vivemos em um mundo de grandes oportunidades. E onde as coisas são mais “fáceis” e “alcançáveis”. Certo?

Difícil concordar sem sentir um leve incômodo com essa percepção. 

Apesar da sociedade ser cada vez  mais flexível, com mudanças significativas acontecendo a todo o momento e com espaços de trabalho orgânicos que permitem que se  cresça junto do negócio; os desafios são diferentes e o desenvolvimento oferecido pelo sistema que vivemos não exatamente acompanha esse ritmo. Na verdade, não consegue nos preparar para ele. 

Ou seja, não chegamos nesse momento, sabendo sequer 50% do que iremos enfrentar. Existe um gap gigantesco entre o que é oferecido pelo ensino tradicional, com o que é exigido no mercado de trabalho – quando falamos da nova economia. 

Ainda mais importantes que técnicas, as habilidades comportamentais são essenciais  para nos preparar para o futuro do trabalho. Elas não apenas fornecem a base para o sucesso ao aprender novos conteúdos, mas também são transferíveis, adaptáveis ​​e promovem a melhoria constante.

Precisamos evoluir, como profissionais, diariamente. Aprender novas técnicas, matérias, metodologias e tecnologias a todo instante. Precisamos lidar com a competitividade por um espaço no mercado de trabalho ainda que existam tantas vagas remanescentes. 

E porque? 

Esse gap entre os dois mundos, gera, em jovens recém-formados ou em processo universitário, mais dúvidas e incertezas sobre estarem realmente preparados/as para se inserir no mercado e competir por uma grande oportunidade em empresas altamente competitivas. 

Em minha vida, vi e ouvi falar sobre como saímos de um mundo que experimentou a maior mudança na economia desde a tão comentada Revolução Industrial: o trabalho se transformou de uma força dominada pela manufatura, com requisitos de qualificação específicos (especialistas) e expectativa de uma longa permanência em uma única empresa, para uma que está em constante evolução.

Um mercado que espera profissionais “t-shaped” e que antecipam grandes transformações no comportamento do consumidor, novas demandas em produtos e serviços e avanços tecnológicos. Agora, o essencial se torna: 

  • Investir na aprendizagem ao longo da vida – e entender que esse é um processo contínuo;
  • Mais foco nas habilidades, atitude e preparação, ao invés de aprendizado mecânico;
  • Criar conexões diretamente com o mundo do trabalho – são elas que abrem oportunidades e permitem a absorção de conhecimento, experiências, novas perspectivas. 

Sabemos que, hoje, não há “nada em comum” entre as aspirações de carreira dos jovens e a procura do mercado de trabalho. 

Conectar essas pessoas a profissionais com mais experiência é a melhor solução na preparação para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e em mutação. 

Crie o cenário necessário para seu Day One

Na minha trajetória, escolhi cursar Secretariado Executivo numa Universidade Federal, me propondo, desde o início, a aproveitar tudo o que ela tinha para me oferecer. Me envolvi em diversos projetos internos do departamento e, além disso, projetos de extensão que me levavam não apenas para fora da sala de aula, mas para uma visão além do meu curso. 

Abracei a mentoria de professores, gestores da instituição e de outras pessoas que estavam ali por diferentes objetivos e motivos. Iniciei o projeto de Empresa Júnior do curso e também da instalação de um Centro de Empreendedorismo na Universidade, através de uma parceria com o Sebrae local. 

Dediquei 110% do meu tempo a aprender tudo o que era preciso para ajudar não apenas no meu desenvolvimento profissional, como nos das pessoas à minha volta – sendo a primeira vez que me conectei verdadeiramente com o propósito pessoal de fazer a diferença por meio da educação. 

Escalei minha jornada para o mercado já entendendo que iria precisar de muito mais para executar as atividades e alcançar os objetivos necessários para o que eu estava buscando como oportunidade profissional. 

E foi por isso que, pelo caminho, descobri como projetos que incentivam o desenvolvimento a partir desse ponto, é essencial para criarmos cenários em que as pessoas entrem para o mercado de trabalho com as competências exigidas pelas empresas.

O mercado de trabalho está evoluindo e, como resultado, a sociedade precisa mudar a forma como prepara os jovens. 

Precisamos pensar criticamente sobre como criar uma experiência mais holística que abre tantas oportunidades quanto possível. Ao integrar habilidades comportamentais, técnicas e experiências de trabalho significativas com uma rica preparação educacional, podemos garantir que os alunos estão prontos para qualquer coisa que o futuro do trabalho nos reserve.

O futuro do trabalho está aqui e as gerações mais jovens estão na frente da linha, explorando novas abordagens, novos encontros e novos desafios.

Nosso objetivo é garantir que essas pessoas estejam preparadas para desenvolver o que precisam para um bom desempenho hoje, somando habilidades para o mundo de amanhã.

Queremos garantir que cada pessoa, após se formar em uma universidade/faculdade, seja o talento mais procurado para contratação e promoção nas empresas da nova economia. 

Como construímos esse futuro hoje?

Publicado por:

Gabriella Balbino

Content Management Specialist, FRST

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